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Polilaminina, com Marco Túlio Reis | O TEMPO Entrevista

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A polilaminina, substância experimental estudada como possível aliada no tratamento de lesões na medula espinhal, ainda precisa passar por etapas decisivas antes de ser considerada segura e eficaz. O alerta é do neurocirurgião Marco Túlio Reis, especialista em cirurgia da coluna vertebral, que participou do O TEMPO Entrevista para esclarecer o que já se sabe (e o que ainda não se sabe) sobre o tema que tem ganhado grande repercussão nacional nos últimos anos.

Durante a conversa com o jornalista Léo Mendes, o médico explicou que a pesquisa com a polilaminina tem quase três décadas, mas ainda está em fase inicial do ponto de vista científico e nos testes que serão realizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Apesar da promessa da droga, a gente ainda está na fase 1, que é um estudo de segurança. Não estamos avaliando eficácia neste momento, mas sim se é seguro aplicar em pacientes”, afirmou.

O neurocirurgião explica que os dados que mais chamaram a atenção do público vieram de estudos preliminares, com número reduzido de pacientes e sem publicação em revistas científicas indexadas. “O único trabalho em humanos disponível é um pré-print, com várias falhas metodológicas. Isso não nos dá segurança para recomendar o uso de forma ampla”, ressaltou.

Marco Túlio também lembrou que casos de recuperação tidos como estraordinários, envolveram tratamento multidisciplinar intensivo, o que dificulta atribuir os resultados exclusivamente à substância.

O especialista reforçou ainda a necessidade de cautela, especialmente diante da judicialização do acesso ao medicamento. “A esperança é legítima, mas o entusiasmo não pode atropelar o método científico. A gente torce para que a polilaminina seja um divisor de águas, mas ainda é cedo. Precisamos de estudos conclusivos, com grupo controle, para saber se ela realmente muda o prognóstico da lesão medular”, concluiu.

No O TEMPO Entrevista, o telespectador vai compreender quando surgiu a polilaminina, como foram os primeiros testes em animais e em humanos e o futuro da substância.

O podcast vai ao ar no sábado, 27 de junho, às 18 horas, no canal de O TEMPO no YouTube.

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