T05#06 - Os analistas leigos e o elefante na sala
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“Caraca, vi um curso de psicanálise ultra mega powercompleto, pra encher o consultório de pacientes, trabalhar três dias por semana, e ter alta performance”.
Olha, eu bem que queria que isso fosse só deboche mesmo, mas,na verdade, cada dia que passa tenho a impressão de que estamos um pouquinho mais próximos dessas e de outras bizarrices. Quando alguém obviamente com cara de picareta, conversa de picareta e proposta de picareta faz as propagandas desses tipos de formação, a pergunta volta:
Quem pode se tornar um ou umapsicanalista?
E essa questão acompanha a psicanálise desde o começo. Freud defendia que ela não deveria se tornar uma especialidade médica. Ainda assim, ao longo do século XX, surgiram disputas institucionais, barreiras corporativas e diferentes modelos de formação tentando definir quem estaria autorizado a ocupar esse lugar.
O problema é que a própria história da psicanálise complicaqualquer resposta simples. Entre os primeiros analistas estavam um pastor protestante, uma escritora, um filósofo, um aristocrata e um técnico mecânico.
Alguns desses “leigos”, como Lou Andreas-Salomé, Otto Rank e Melanie Klein, acabaram tendo um impacto muito maior na teoria e na prática da psicanálise do que muitos médicos, pra dar só alguns exemplos.
Neste episódio discutimos como essa tensão se estruturouhistoricamente da defesa freudiana da análise leiga no processo contra Theodor Reik, passando pela medicalização americana, pelos modelos de formação da IPA e pela ruptura lacaniana.
Bora? Bora!
Bibliografia:
CARNEIRO, Claudia Aparecida. A natureza Leiga daPsicanálise. Disponível em:https://drive.google.com/file/d/1ZC1iqMbckY31ThTJRlA3qqYuE6fB-xAg/view?usp=drive_link
CHEMOUNY, Jacquy. História do Movimento Psicanalítico. Riode Janeiro: Jorge Zahar Ed. , 1991.
FIGUEIREDO, Luis Cláudio. A “análise leiga” novamente emquestão? Novas elaborações sobre a mente do analista. Disponível em: https://ojs.sig.org.br/index.php/sig/article/view/66/65
FREUD, Sigmund. A questão da análise leiga: conversações com uma pessoa imparcial (1926). In: FREUD, Sigmund. Fundamentos da clínica psicanalítica. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017. (Obras incompletas de Sigmund Freud).
GAY, Peter. Freud: uma vida para o nosso tempo. São Paulo:Companhia das Letras, 2012. MAKARI, George. Revolução na mente: a criação da psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
ROSE, Louis. O percurso moral dos primeiros psicanalistas vienenses. Rev. bras. psicanál, São Paulo , v. 53, n. 1, p. 215-239, mar. 2019 . Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2019000100015&lng=pt&nrm=iso.
ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário depsicanálise. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.